Nossa postagem de hoje apresenta a primeira parte dessa história de Dona Marieta e seu filho Ertinho. Em um tempo em que a inclusão não acontecia e os preconceitos eram mais visíveis, confira:
Hoje, “Dia Internacional da Síndrome de Down, não poderia deixar de começar a contar a história
de D. Marieta e seu filho Ertinho!
No dia 29 de janeiro de 1956, na fazenda Santana do Paiol, nascia o 7º filho de D. Marieta e seu
Ieca (José Aureliano). Filho temporão, a menina acima dele, Maria Helena, já estava com sete anos!
Tinha o Sebastião já com doze, Salvador com quatorze, João com quinze, José com dezessete, a
Noemia que deveria ter dezesseis, faleceu com dois anos de idade. Sendo assim, a mamãe já tinha
muita experiência com partos, choros de recém-nascidos. Eu nasci um ano e quatro meses depois
dele e vivemos juntos a história que me proponha contar.
O parto, como todos os demais, foi na roça. A parteira a tia Francisca. A tesoura a mesma que
havia cortado todos os outros 6 cordões umbelicais, mas ao nascer o menino, a experiente mamãe,
viu que algo estava diferente, a criança não chorou! Ao olhar para a criança percebeu que ele era
diferente de todos os outros, na sua vasta experiência com recém-nascidos nunca havia visto nada
igual, pensou que a criança ia morrer e cuidou logo de batizar! O pai queria que se chamasse
Aérton, em homenagem ao famoso apresentador de rádio Aérton Perlingeiro, mas a mãe não
concordou, disse que teria que ter nome de um santo, já que ia precisar de muita proteção.
Decidiram então por Antônio Aérton, mas foi registrado como Antônio Aelton e todos passaram a
chamar por “Ertinho”!
Desse dia em diante começou uma história de preconceitos, de discriminação e também de muita
luta de uma mãe pelos direitos de seu filho com Síndrome de Down.
Assim que pode, Dona Marieta e Seu Ieca, arrearam o cavalo, entraram na charrete e vieram na
cidade trazer a criança ao médico para saber o que o filho tinha. Queriam entender porque a criança
ficava sempre com a boquinha aberta, porque tinha aqueles olhinhos rasos que não se parecia com
ninguém da família, porque chorava tão fraquinho e tinha tanta dificuldade para mamar!
Acredito que esse dia foi muito triste para a minha mãe. O médico foi categórico e disse que a
criança poderia morrer logo porque tinha um problema no coração, o que seria melhor porque se
vivesse não iria falar, nem andar e nunca ia aprender nada, seria um imbecil, porque tinha uma
“doença”, era mongoloide. Acho que foi esse nome que ele falou, não foi “síndrome de down”
.
…
Mamãe que está lendo este relato, já pensou ouvir isso?
Melhor que morresse?
Sem nenhuma esperança de andar, falar, aprender?
Mas a D. Marieta, que era analfabeta, sabia apenas escrever o nome, não aceitou o diagnóstico, ou
nos dias de hoje seria o “laudo”! Resolveu escrever outro.
Eu não sei quando surgiram as fonoaudiólogas e os fisioterapeutas, mas sei quem 1956 nascia uma,
por instinto maternal, na ânsia de mudar um diagnóstico, D. Marieta começou a desenvolver
técnicas para estimular o filho.
Movimentos com a boca, com as perninhas, bracinhos eram incansavelmente feitos com o Ertinho.
Os irmãos mais velhos eram escalados para as terapias com o bebê.
Com dois anos e seis meses ele andou.
Valiam também todas as simpatias, promessas e benzeções para uma mamãe de muita fé!
Valia até mesmo não ser ecologicamente correta, pois falaram para ela que se ele comesse a língua
de um passarinho chamado “cham cham” (pica pau na verdade) ele iria falar rapidinho. Imagina se
a Dona Marieta não fez a língua do bichinho na papinha pro filho!?
Logo depois que andou ele começou a se expressar oralmente, no início apenas a irmã mais nova,
eu, entendia o dialeto, mas com o tempo foi melhorando a fala e ampliando o vocabulário e passou
a falar tanto, que ela se arrependeu de ter matado o passarinho.
Por hoje, está bom!
Amanhã contarei mais um pouquinho!
Ana Maria Costa Heto

Que história maravilhosa. Obrigada Ana por compartilhar com a gente. Que possamos ter mais mães estilo dona Marieta.
ResponderExcluirNada nesse mundo sabe mais que o AMOR de uma MÃE!
ResponderExcluirLinda história...muita emoção do começo ao fim... gratidão Ana Heto..
ResponderExcluirAguardo a segunda parte!!!!!
ResponderExcluirQue delícia, essa história!! Queremos mais .... Obrigada por tantos detalhes, me senti parte.
ResponderExcluirAna que lindo .
ResponderExcluirA cada parágrafo escrito me sinto vivendo com vcs toda está riqueza .
De lutas e vitórias.
O que vale nesta vida e tudo isto olhar pra trás e ver .
Que sua mãe fez verdadeira inclusão
Essas lutas que faz gente lutar mais e mais .
ABRAÇOS DA TIA Belll